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segunda-feira, 19 de março de 2012

Os componentes do amor na relação conjugal




Um casal são duas pessoas oriundas de famílias distintas, que decidem vincular-se para partilhar um projecto de vida comum, num espaço relacional próprio. É uma das relações mais intensas que se pode estabelecer, passando por uma acomodação progressiva de identidades individuais de duas pessoas com histórias de vida distintas.

A nossa herança sociocultural transformou as possibilidades de ser-se casal ao longo do tempo, sendo que hoje é quase inconcebível sê-lo sem um determinado grau de vínculo amoroso, atração sexual e apoio mútuo.
Se quiséssemos decompor este vínculo amoroso sob a forma de “receita”, encontraríamos componentes cognitivos, emocionais e pragmáticos (o que pensamos, sentimos e fazemos em relação ao ser amado).
Os componentes cognitivos traduzem-se no reconhecimento e na apreciação do outro.
O reconhecimento é a perceção do outro como ser dotado de uma identidade própria, que apreciamos. Assim, amar traz a confirmação de que somos aceites e aceitamos o ser amado como alguém diferente, cuja existência se impõe, com intensidade. Em relações pouco saudáveis, pode produzir-se, ao contrário, a desconfirmação, em que um dos elementos é ignorado ou esquecido e a sua identidade perde significado e relevância.

Apreciar é destacar e valorizar as qualidades de alguém. Com o amor pode surgir inclusive uma tendência para mistificar e colocar num pedestal o ser amado ou, em relações danificadas por conflitos e ressentimentos, pode surgir o fenómeno contrário - a reprovação do outro.
Os componentes afetivos vão-se alterando com o tempo e forma da relação. Há um estado afetivo de base, a ternura, que pode durar toda a história amorosa. Mas uma relação desgastada poderá colocar em evidência a rotina e o aborrecimento, ou mesmo a irritação.
Finalmente, os componentes pragmáticos, incluem o desejo - impulso que leva à aproximação ao outro mas que, numa relação desgastada, pode converter-se em afastamento.
Outro componente pragmático é o sexo, a prática mais específica do casal, cujo significado varia extraordinariamente. É um comportamento relacional complexo, associado à obtenção de prazer, mas que pode também converter-se em desprazer ou mesmo dor, em situações limite.
Ainda como componente pragmático, está a gestão da vida quotidiana, que numa relação saudável se rege pela colaboração e apoio mútuos, mas pode constituir-se, numa relação desgastada, num contínuo boicote e abandono.
Amar e ser amado não significa o mesmo para todos nós. São sentimentos que remetem para experiências e aprendizagens prévios. Como tal, o casal deve preparar-se para tomar decisões importantes aquando da sua constituição. Deve decidir, por exemplo, se deseja uma vinculação amorosa total ou parcial.
Este é um dos acordos básicos para uma vida conjugal harmoniosa. E não existem receitas – apenas assegurar-se de que os términos do acordo são claros e satisfatórios para ambos.
A vinculação total expressa-se pelo desejo de partilhar todas as áreas da vida com o outro, tornando-se a relação como determinante e prioritária. O outro torna-se um elemento significativo e necessário para que eu me sinta apreciado/a, desejado/a e reconhecido/a de forma recíproca. Os ingredientes são a confiança e a segurança.
A vinculação parcial centra-se em determinadas áreas, ou seja, não se exige um vínculo que impregne toda a vida da pessoa, nem se espera que o vínculo satisfaça todas as necessidades afetivas de forma prioritária, dando-se espaço a outras relações familiares e sociais importantes.
Sendo o casal um sistema relacional vivo, em constante interação com o meio, deve entender-se também a sua continua evolução. Ou, noutras palavras, o casal passa por diferentes etapas:
Após a união, torna-se necessária a clarificação do compromisso assumido (o contrato implícito estabelecido entre os dois e que define o que é, para o casal, ser o casal). A incorporação de projetos de vida comuns é a etapa que se segue, na qual se investe na finalidade e nos conteúdo dos planos e objetivos futuros. Uma casa própria, ter ou não ter filhos (e quando), são exemplos de questões que deverão ser tomadas em conjunto, sem que nenhum dos elementos seja anulado ou tenha que renunciar a projetos pessoais importantes para a sua identidade pessoal.
Por Dra. Dora Rebelo, Terapeuta de Casal, Janeiro de 2012

TERAPIA FAMILIAR




O que é?

A terapia familiar sistémica, cujas formas mais conhecidas são a terapia familiar e a terapia conjugal, é uma forma de psicoterapia que se centra nas relações e na dinâmica própria de cada unidade familiar.
Independentemente da origem do problema trazido a consulta, a terapia familiar acredita que o envolvimento da família traz benefícios na sua resolução.

A família é o primeiro contexto social que conhecemos e é nela que iniciamos a aprendizagem da relação com o outro. É a nossa primeira referência em termos de valores e papéis sociais e é dentro dela que se vão tecendo as emoções que nos formam como pessoa. É também nas famílias que germinam alguns dos conflitos, bloqueios e obstáculos mais difíceis de ultrapassar. Por esse motivo, nelas residem as soluções para alguns problemas individuais, familiares e conjugais.

O conceito de família não se restringe, para um terapeuta familiar, ao modelo “tradicional” (casal, pais e filhos), mas procura abranger as redes de apoio e as relações mais significativas entre as pessoas envolvidas numa dada situação, com ou sem grau de parentesco entre elas.
Como se processa?

Na abordagem da terapia familiar e conjugal, proporciona-se um espaço conjunto de resolução de problemas, gerindo-se o impacto que o processo terapêutico vai implicando no todo familiar/conjugal.

Nos casais trabalha-se a comunicação, o respeito pela individualidade, a etapa da relação e o projecto de vida comum. Na família procuram-se soluções para o crescimento autónomo de cada membro, a par da atenção dada a toda a dinâmica e crescimento emocional da unidade familiar.

A metodologia de intervenção procura encontrar soluções breves e satisfatórias para todos os elementos utilizando os recursos da própria família. As situações de mal-estar ou ruptura vão-se transformando em oportunidades de crescimento conjunto à medida que se vão optimizando as forças, a sabedoria e o apoio do sistema familiar.

Embora a terapia familiar seja eficaz em qualquer situação de sofrimento ou dilema humano, ficam alguns exemplos de situações em que se tem revelado eficaz:

Áreas de Intervenção:
  • Instabilidade Emocional
  • Crises Conjugais
  • Conflitos Casal / pais- filhos
  • Infidelidade
  • Apoio Parental
  • Imigração/Adaptação cultural 
  • Problemas de comportamento social/escolar
  • Adaptação a situações de doença/condição crónica
  • Situações de Luto
  • Saúde Mental 
  • Comportamentos aditivos (álcool, drogas, jogo)
  • Agressividade/Violência
  • Transtornos emocionais como ansiedade e depressão
  • Conflitos com a família de origem
  • Desentendimentos financeiros
  • Mediação familiar em situações de ruptura
  • Divórcio
 por Dora Rebelo, Terapeuta Familiar